Dizem que toda mulher nasce com instinto materno. Eu não tinha muita
certeza disto até o dia em que fui atropelada por uma carroça. Este episódio
ocorreu em Boipaba (BA), ilha que vivi três anos de minha vida, onde o meio de
transporte ainda são os animais.
Estava levando minha cachorra Sereia tomar vacina, grávida de seis meses
de Inaê e com minha enteada Iara. Paramos para atravessar a ponte do Areal e lá
do outro lado vi um homem com a sua carroça e sua mula. Ele fez sinal para eu
atravessar, pois a ponte é estreita, ou passa pedestre ou passa carroça.
Na hora que estávamos no meio da ponte, a mula disparou em nossa direção.
Protegi minha barriga para fora da grade da ponte, segurei Iara do meu lado e nem
vi Sereia pulando do meu colo e saindo correndo.
A carroça passou rasgando a minha calça e a minha pele, mas Iara e minha
barriga estavam protegidas. Depois que o carroceiro conseguiu parar, eu fui dar
uma super bronca nele com minha calça rasgada e metade da minha bunda ralada
aparecendo, uma cena bem tragicômica.
Na hora que cheguei em casa e encontrei João, meu companheiro, toda a
minha fortaleza desabou e comecei a chorar como criança. Iara ficou ao meu
lado, eufórica, contando para João que eu a tinha salvo da carroça. Este
assunto durou semanas, todo dia Iara me falava “e a carroça, hein Carol?!?”
A partir daquele dia eu e Iara fortalecemos o nosso vínculo. Ela viu que
podia contar comigo para protegê-la e eu vi que já estava prepara da para assumir
este papel.
Mamastê!
Carol
Massoterapeuta Ayuveda
Revendedora de produtos naturais e eco-eficientes
Blogueira Mamastê
Mãe de Davi, Inaê e Boadrasta de Iara
PS.: É Iara quem diz que sou a boadrasta dela, e eu fico super feliz!